Longe? Perto? Ao meu lado.. ou cá dentro?
São tantas as perguntas que assolam o peito, tantas tantas.
Mas afinal, onde estás Tu?
Foste embora, como se de uma luz te tratasses. Apagaste-te de um segundo para o outro. Bastou só desviar o olhar para quando me voltar já não te ver, já não sentir o doce toque das tuas mãos a embalarem-me. O perfume e o cheiro do teu champõ, tão únicos, tão teus. A tua bela face, tão pálida, tão macia, que perfeita melodia.
Procuro por ti. Desesperadamente, dispo-me de tudo o que me identifica e, luto contra fantasmas que me atormentam noites e noites, querem que me prenda a esta vida, a esta fantochada, mediocrice, posso assim chamar, aquela à qual já não pertences de corpo. A tua alma separei-a eu. Enquanto lutava contra a força dos monstrinhos que se apoderavam de mim, lentamente, muito lentamente, mas ao mesmo tempo com um poder inalcançável, separei o que restava de ti aqui, neste lugar.
Finalmente, encontrei-te, numa noite serena. Estavas vestida de branco e tinhas o cabelo solto, caracóis definidos os teus. Tentei aproximar-me de ti, anjo meu, caminhei devagarinho. Cantarolavas uma canção, muito baixinhoooo, como se estivesses a adormecer um bebé. A tua voz, tão calma, deixou-me encantada.
Dei dois passos em frente e coloquei a minha mão no teu ombro. Senti um enorme frio na barriga, e o coração aqueceu, assim de repente. Era um sentimento único, como se já tivesse estado naquele lugar, a olhar para ti, a tocar-te e a sentir que me pertences.
Estavas ali, mas não olhaste, agiste como se não me visses.
Mas um peso inexplicável não me fez levantar a mão de ti, e não me fez ir embora.
Minutos, horas se seguiram, semanas, meses, anos por nós passaram e continuámos ali, como se o tempo, cá dentro, não tivesse sido nada, apenas uma pequena brisa passageira, sim, porque o teu cabelo continuava solto a baloiçar ao sabor do vento.
Não entendes o que te quero dizer?
É tudo fruto da minha imaginação, não passa de um sonho. Foste-te embora num piscar de olhos, soube a pouco.
E agora, que me deparo com a realidade, com a vida que é minha, hoje, vejo que acordada não há peso nenhum, não há nada que me faça ver-te à minha frente a cantarolar e a chamar intensamente por mim. Só vejo uma cadeira vazia e sinto o vento bater-me na cara, o céu iluminado por milhões de estrelinhas que brilham sem parar e a lua, essa transborda vivacidade e magnificiência, a lua dá luz a esta noite serena. Não oiço carros, pessoas, animais. Apenas o eco da tua voz se repete, e repete, e repete vezes sem conta.
Volto a adormecer e a minha mão continua colada ao teu ombro. Já tão perto de ti, o teu perfume entranha-se dentro de mim, cheiro tão harmonioso que me faz ficar aqui e nunca mais sair.. Chamo pelo teu nome, uma, duas, três vezes, e tu não páras de cantar baixinho. Até que te voltas para mim e me abraças. Afinal de contas os anos passam e já não tenho dois aninhos.
Amo-te mãe, amo-te, estejas tu perto ou longe, estejas tu ao meu lado ou dentro de mim. Acompanharás todos os meus passos. Todas as minhas pegadas estão marcadas em ti como mais um forte balanço na vida. E, quando eu precisar de ti, não preciso de sonhar, nem muito menos de gritar o teu nome. Tu estás sempre comigo, em todos os momentos da minha vida. Eu consigo senti-lo. Amor de Mãe, Amor de Filha (L)
